28 de janeiro de 2009

No palco, Maciel sustenta canções com leveza

Resenha de Show
Título: Dez Canções
Artista: Adriana Maciel (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Centro Cultural Carioca (RJ)
Data: 27 de janeiro de 2009
Cotação: * * *

Lançado discretamente em novembro de 2008, o quarto CD de Adriana Maciel, Dez Canções, se impôs pela delicada moldura com que a cantora, em tom íntimo, adornou as dez canções que formaram repertório fiel ao universo musical da intérprete. No show calcado no disco, apresentado no Centro Cultural Carioca na noite de terça-feira, 27 de janeiro de 2009, Maciel obviamente combina a dezena de canções do título - na qual se destaca Perto do Coração Selvagem, lindo tema de Vitor Ramil, compositor recorrente na discografia da artista - com músicas de seus três álbuns anteriores. Do último, Poeira Leve (2004), a cantora pescou um samba-canção de Dorival Caymmi (1914 - 2008), Nem Eu, emendado com tema sinuoso de Björk, It's Oh so Quiet, em ousado link de roteiro aberto e fechado com canções de Ramil, Cão (Like a Dog) e Grama Verde, respectivamente. E Ramil é dez!!
Em cena, Adriana Maciel se vale da presença de músicos tarimbados como o percussionista Marcos Suzano e de jovens talentos, como o guitarrista Bernardo Bosisio (produtor do CD Dez Canções ao lado de Chico Neves), para reproduzir no palco a leveza que sustenta suas interpretações. Instrumentos pouco usuais, como o alaúde, ajudam a moldar o tempo da delicadeza. Não é tarefa fácil. Em alguns números, como Sertão (Caetano Veloso e Moreno Veloso), a cantora roça a beleza do registro fonográfico. Em outros, como Fórmica Blue (de Vitor Ramil com Luciano Melo), a emissão da intérprete embaça a letra deste tema pautado pela estranheza (ciente de que não foi bem, Maciel repete a música no bis com maior clareza). Mais para o fim, a intérprete experimenta registros menos íntimos em músicas como Menos de Doer, Mais de Doar - parceria de Chico César com Carlos Careqa, gravada em seu segundo CD, Sozinha Minha (2000). O recurso faz aumentar a temperatura cênica - ainda que a beleza do show resida justamente na suavidade e na sua atmosfera cool. No todo, a apresentação resulta interessante e confirma o talento de artista que vem construindo discografia coesa que ainda há de merecer mais atenção do público. Adriana Maciel tem seu tempo próprio...

6 Comments:

Blogger Mauro Ferreira said...

Lançado discretamente em novembro de 2008, o quarto CD de Adriana Maciel, Dez Canções, se impôs pela delicada moldura com que a cantora, em tom íntimo, adornou as dez canções que formaram repertório fiel ao universo musical da intérprete. No show calcado no disco, apresentado no Centro Cultural Carioca na noite de terça-feira, 27 de janeiro de 2009, Maciel obviamente combina a dezena de canções do título - na qual se destaca Perto do Coração Selvagem, lindo tema de Vitor Ramil, compositor recorrente na discografia da artista - com músicas de seus três álbuns anteriores. Do último, Poeira Leve (2004), a cantora pescou um samba-canção de Dorival Caymmi (1914 - 2008), Nem Eu, emendado com tema sinuoso de Björk, It's Oh so Quiet, em ousado link de roteiro aberto e fechado com canções de Ramil, Cão (Like a Dog) e Grama Verde, respectivamente. E Ramil é dez!!

Em cena, Adriana Maciel se vale da presença de músicos tarimbados como o percussionista Marcos Suzano e de jovens talentos, como o guitarrista Bernardo Bosisio (produtor do CD Dez Canções ao lado de Chico Neves), para reproduzir no palco a leveza que sustenta suas interpretações. Instrumentos pouco usuais, como o alaúde, ajudam a moldar o tempo da delicadeza. Não é tarefa fácil. Em alguns números, como Sertão (Caetano Veloso e Moreno Veloso), a cantora roça a beleza do registro fonográfico. Em outros, como Fórmica Blue (de Vítor Ramil com Luciano Melo), a emissão da intérprete embaça a letra deste tema pautado pela estranheza (ciente de que não foi bem, Maciel repete a música no bis com maior clareza). Mais para o fim, a intérprete experimenta registros menos íntimos em músicas como Menos de Doer, Mais de Doar - parceria de Chico César com Carlos Careqa, gravada em seu segundo CD, Sozinha Minha (2000). O recurso faz aumentar a temperatura cênica - ainda que a beleza do show resida justamente na suavidade e na sua atmosfera cool. No todo, a apresentação resulta interessante e confirma o talento de artista que vem construindo discografia coesa que ainda há de merecer mais atenção do público. Adriana Maciel tem seu tempo próprio...

28 de janeiro de 2009 às 09:51  
Blogger aguiar_luc said...

Adriana Maciel é um dos mais belos talentos brasileiros, gostaria muito de ver esse show aqui pelo NE, em especial no Recife.
Sorte sua Mauro que teve esse previlégio.
Abraços a todos.

28 de janeiro de 2009 às 10:17  
Anonymous Anônimo said...

Adriana Maciel tem sabido construir sua discografia fugindo do óbvio e se pautando em compositores muito bons como Vitor Ramil.
Vida longa à sua carreira!

28 de janeiro de 2009 às 10:25  
Anonymous Anônimo said...

Poxa , gostaria muito de ter ido nesse SHOW ,mas meu trabalho nao permitiu. Mas espero que logo Maciel vá pro Rival.
Gosto muito da A. Maciel, tenho todos os seus CDs, com excessão desse " Dez Canções" , e o que me fez admirá-la mesmo foi o cuidado que Maciel tem com as músicas que grava, com os arranjos- sempre impecáveis, modernos/contemporâneos. e sempre acompanhada dos melhores músicos.
È isso , o Brasil precisa descobrir A. Maciel

28 de janeiro de 2009 às 12:04  
Anonymous Anônimo said...

Adoro "It´s all so quiet" da Bjork. Já vi Thais Gulin cantando em show. Incrível. Tô curioso p/ ouvir na voz da Adriana Maciel tb. Será que pinta por BH? Abs, Jay.

28 de janeiro de 2009 às 17:57  
Blogger Unknown said...

Ariana Maciel canta com o coração!

16 de fevereiro de 2009 às 06:43  

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