27 de novembro de 2007

O bom encontro de Cordeiro com Klazz Brothers

Resenha de CD
Título: Klazz Meets the Voice
Artista: Klazz Brothers & Edson Cordeiro
Gravadora: Sony BMG
Cotação: * * *

Desde seu primeiro álbum, de 1990, Edson Cordeiro já cruza com rara desenvoltura a tênue fronteira entre as músicas erudita e popular. O virtuosismo vocal do cantor por vezes adquire tom exibicionista. Contudo, o brilho da voz de Cordeiro é inegável. A ponto de o intérprete - um nome já conhecido em festivais europeus, especialmente na Alemanha - dividir disco com os Klazz Brothers, trio alemão de baixo-piano-bateria que imprime textura jazzística em temas eruditos. Ainda inédito no mercado brasileiro, o CD Klazz Meets the Voice foi editado na Alemanha no primeiro semestre de 2007. Vale ouvir.

Há uns belos momentos no álbum. Sobretudo as faixas que evitam fusões meramente exóticas como Girl of the Night, que vem a ser a junção da rodada Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, com ária de A Flauta Mágica, de Mozart. Ou Kiss, unida a Corcovado, outro clássico bossa-novista. As faixas mais sedutoras são as que não abusam das misturas, pois o encontro de Cordeiro com os Klazz Brothers já se encarrega por si só de fundir estilos e gêneros. O tema gospel Amazing Grace resulta comovente com o toque do trio e os vocalises de Cordeiro, que canta a letra em tom mais grave e comedido. Da mesma forma que Ave Maria - de Bach e de Gounod - ganha belo registro sublinhado pelo piano jazzístico de Tobias Forster, com citação no fim de Ave Maria no Morro, de Herilveto Martins. Joshua Fit the Battle abre este bloco espiritual.

Entre peça que remete ao folclore do Norte do Brasil (Boi Bumbá, de Waldemar Henrique) e música de Duke Ellington (Creole Love Call), Cordeiro e o trio ainda juntam a Ária, de Bach, com o tema-título do filme Era uma Vez no Oeste, uma das obras-primas do maestro italiano Ennio Morricone. E é nesse universo operístico - no qual cabem Babalu (a música cubana celebrizada no Brasil por Ângela Maria) e Miss Celie's Blues - que Edson Cordeiro reafirma o caráter plural de sua voz, que brilha mais quando o cantor evita a trilha exibicionista. Quando o Brasil vai lhe dar (o devido) valor?

10 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Edson canta bem mas fica naquela de se exibir, eu não gosto de cantor que fica mostrando que tem voz. a voz,quando boa, se mostra sem esforço

27 de novembro de 2007 às 12:35  
Anonymous Anônimo said...

Vale lembrar que a participação dele no tributo à Maysa é antológica.

27 de novembro de 2007 às 15:19  
Blogger Minhas Raridades Musicais said...

Edson Cordeiro é um cantor totalmente perdido, sem saber o que fazer com sua bela voz.
e que cd é esse so com regravações do seu prório repertório? ah quem aguente ainda babalu?

27 de novembro de 2007 às 15:30  
Anonymous Anônimo said...

Edson Cordeiro tem um talento pirante. Não sei como não enlouqueceu. O exibicionismo é apenas um dos aspectos de sua performance, talvez o menos importante. O que ele traz mesmo é intensidade, drama, preparo vocal, um som de beleza angelical quando quer, um repertório offbeat, essas são suas verdadeiras qualidades.

É verdade, ele já gravou 'Creole's Love Song' e 'Boi Bumbá', entre outros, mas vamos ver os arranjos, podem ser bacanas.

27 de novembro de 2007 às 18:31  
Blogger Doug said...

Os arranjos desse disco são completamente diferentes dos registrados anteriormente pelo Edson. Nem Elis, nem Gal, nem João Gilberto, nem Mílton, Caetano, Chico, Roberto ou Tom (sem falar na rainha da regravação, Maria Bethânia) regravaram músicas de seu próprio repertório de forma tão diferente. O disco é excelente.

27 de novembro de 2007 às 19:30  
Anonymous Anônimo said...

O disco é maravilhoso, um primor, mas longe de ser comercial ( no sentido vulgar da palavra). Aqui na Alemanha o cantor está em turnê, com quatro, cinco shows por semana. Os alemaes que apreciam uma boa musica erudita o adoram.

27 de novembro de 2007 às 22:19  
Anonymous Anônimo said...

Ainda bem que ele abandonou aquela fase saltitante dele, o cd em questão tem mais a ver com o vozerio que ele tem.Lembro,faz muito tempo,do anônimo Édson Cordeiro cantando,em SP,na rua 24 de maio;tendo no chão, uma caixa de sapato para as moedas e ele soltando aquele vozeirão que ia desde os populares até os eruditos.Também o acho um pouco metido,mas com um histórico como o que eu citei acima,só posso admirá-lo.

28 de novembro de 2007 às 15:19  
Blogger Joana Alvez said...

Eu to Louca pra conhecer o novo projeto dele "The Womans Voice"
eu tava vendo que ele estreia essa turnê no brasil mais especificamente falando, no Auditório Ibirapuera em São Paulo começa no dia 21 e vai até o dia 23 e no dia 23 ele vai tocar com o Ney Matogrosso, so por esse deta-lhe ja imagino o melhor show da minha vida.
Se alguem ja tiver algum material desse trabalho me passa por favor

19 de março de 2008 às 17:40  
Blogger Unknown said...

Ouvi o cd no site Sonora, e foi uma grata surpresa. Pena o Brasil ainda conhecer pouco o Edson. Quanto ao repertório, achei interessante, mesmo já conhecendo a maioria das músicas na voz dele, mas os arranjos estão primorosos, os Klazz Brothers elevam as possibilidades do cd enormemente.

26 de fevereiro de 2010 às 18:20  
Blogger Márcio Hachmann said...

eu precisa lhe dizer: não há como não chorar copiosamente ao ouvir esse álbum, principalmente pela trajetória artística do Edson Cordeiro, pela vida pessoal dele, por ele ser quem ele é pela realidade brasileira.

31 de maio de 2012 às 07:17  

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