25 de outubro de 2007

Filmes focam Bethânia sempre senhora de si...

Resenha de DVD

Título: Bethânia Bem de Perto

Pedrinha de Aruanda

Artista: Maria Bethânia
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * 1/2

Antes de se tornar a senhora da cena brasileira, Maria Bethânia já era senhora de si... A altivez da intérprete está retratada em dois documentários sobre a diva baiana - ora reunidos pela gravadora Biscoito Fino em DVD duplo. Quarenta anos separam Bethânia Bem de Perto (1966) de Pedrinha de Aruanda (2006), mas, se Bethânia ainda se revela um diamante (verdadeiro) em estado bruto no raro filme de Júlio Bressane e Eduardo Escorel, ela já se mostra plena de sua Arte no documentário oficial de Andrucha Waddington. Em ambos, contudo, transparece na tela a indomada personalidade forte da artista... Para as câmeras de Bressane e de Escorel, Bethânia se mostra espontânea e sem freio na língua. Para as lentes de Waddington, sua força já se revela sutil. Está presente mais na condução do roteiro do que nas suas poucas declarações.

Filmado em preto e branco, no Rio, Bethânia Bem de Perto - A Propósito de um Show capta andanças, opiniões e números de shows - entre eles, Viramundo - feitos pela então iniciante artista na cidade que a acolheu (bem). Bethânia ainda estava identificada como cantora de protesto por conta da marcante interpretação de Carcará no show Opinião. "Meu disco tem 12 músicas... E eu não consigo cantar outra música que não seja Carcará", desabafa a intérprete. Com a mesma naturalidade, Bethânia responde todas as perguntas do entrevistador ocultado pelas câmeras, criticando músicas como Quero que Vá Tudo pro Inferno e O Barquinho. "Eu acho a música de uma pobreza total", dispara, a respeito do hit que projetou definitivamente Roberto Carlos em 1965, numa aparente contradição com o fato de ter sido ela, Bethânia, quem chamou a atenção do mano Caetano Veloso para a música do futuro Rei. "O Barquinho, eu odeio. Não gosto nem de saber que existe", depõe a respeito do clássico da Bossa Nova - para depois arrematar: "Não gosto de cantar (música) meio-termo". Mas nenhuma cena destes flagrantes caseiros é mais reveladora do temperamento altivo de Bethânia do que a cena da discussão do contrato de miniturnê que seria feita pela cantora na Europa. Enquanto o contratante explica as cláusulas do contrato, diante de grupo interessado que incluía Caetano Veloso, Bethânia folheava uma revista (aparentemente) alheia à conversa - como se não estivesse nem aí para o que estava sendo discutido sobre um contrato que era dela. Jogo de cena? É, pode ser. Em 1966, Maria Bethânia já era uma senhora intérprete.

Quatro décadas depois, por ocasião de seus 60 anos, a intérprete já domina a cena. Não quantativamente, pois o foco de Pedrinha de Aruanda está mais em Dona Canô - protagonista do sarau na varanda da casa de Santo Amaro (BA) que ocupa metade do filme - do que na própria Bethânia. Já não há espontaneidade. Cada fala ou ato parece calculado para passar ao espectador uma imagem já pré-concebida e imaculada de Bethânia. Feito na Bahia, Pedrinha de Aruanda faz (espécie de) liturgia em louvor à dona dos dons. Bethânia até é mostrada bem de perto. Mas pouco se vê. Como há 40 anos, Maria Bethânia é senhora de si, agora já senhora da cena.

19 Comments:

Blogger Jorge Reis said...

Seria interessante se os integrantes da colméia fundamentalista vissem como a Abelha Rainha aprendeu a cantar e até digamos ficou mais educada.
Os documentários são ótimos !

25 de outubro de 2007 às 17:32  
Anonymous Anônimo said...

Maria Bethânia é dona de uma nobreza ímpar. Hoje, 40 anos depois, ela passa a imagem de quem venceu a guerra e passeia soberana com a integridade de todos os "nãos" que ela bancou em defesa de seus princípios e evidencia a burrice de um mercado que busca grandes vendagens e não tem em seu cast a maior artista da música brasileira.

25 de outubro de 2007 às 17:53  
Blogger Claudio said...

Rainha, sempre rainha!!!
adorei os dois documentários..
adoro tudo dessa deusa amada!!!

25 de outubro de 2007 às 19:28  
Anonymous Anônimo said...

De novo, Mauro ?

25 de outubro de 2007 às 20:52  
Anonymous Anônimo said...

e justamente por isso que admiro a nossa abelha rainha, pela autenticidade. Enquanto outras sem talento sao marqueteiras de carteirinha, sem personalidade só para ganhar a simpatia do povo e ganhar rios de dinheiro com comerciais, principalmente em programas de auditório, na contramão, bethania esbanja sinceridade e personalidade. Bethania é unica. Pronto.

25 de outubro de 2007 às 21:48  
Anonymous Anônimo said...

Engraçado, achei isso também de música é perfume e de todas as entrevistas que vejo da Betânia, acho que o personagem dominou a pessoa.

25 de outubro de 2007 às 22:13  
Anonymous Anônimo said...

Gostei mais do Bethânia bem de perto. Não gosto do jeito que o Andrucha picota as cenas de shows.
Ele já tinha estragado os doces bárbaros antes, e nós mais uma vez, ficamos sem o show " doces bárbaros na íntegra". E neste: A abertura que podia ser de arrepiar até os pelos do pé, está toda cortada por telas pretas, de um mal gosto sem fim. O resto do filme, é bacaninha. Mas o música é perfume ganha longe.

Edu - abc.

25 de outubro de 2007 às 22:37  
Anonymous Anônimo said...

Bethânia é tudo de bom, tem todo o direito de ser senhora de si, arrogante, distante. Conheço um fã dela que insiste há 30 anos ser recebido por ela no camarim depois dos shows. Nunca deu sorte mas ele não desiste.Quem pode, pode, quem não pode...Até na mãe Bethânia teve sorte!!

25 de outubro de 2007 às 23:43  
Anonymous Anônimo said...

Eu não assisti PEDRINHA DE ARUANDA mas li uma materia com Andrucha onde ele dizia :

' Maria Bethânia estava prestes a completar 60 anos e me convidou para documentar a ocasião na Bahia. Me deparei com a possibilidade de fazer um registro profundo e singelo de suas raízes '


Boa sacada do cara !
Diogo Santos
http://blogcasanocampo.blogspot.com

26 de outubro de 2007 às 07:12  
Anonymous Anônimo said...

Até que enfim Mauro publicou as suas impressões sobre o DVD.
Eu amei os dois.
Nota: Mil
Salve, salve a nossa queridíssima artista, Maria Bethânia do Brasil!
Adélia Caldas
Niterói - RJ

26 de outubro de 2007 às 10:45  
Anonymous Anônimo said...

Assisti a ambos ontem.

Não gostei dos filmes, mas achei marcante a evolução da musicalidade e da voz de Maria Bethânia nos 40 anos decorridos entre um e outro.

O 'freak' pós-adolescente de 1966 deu lugar a uma senhora intérprete.

26 de outubro de 2007 às 16:06  
Anonymous Anônimo said...

Mauro,
Eu adorei os dois documentários, já tinha assistido no cinema e amei ter em DVD.
Outra coisa que adorei, acabei de dar uma olhada no livro recém-lançado “1001 discos para ouvir antes de morrer” e quem está lá? A grande cantora Maria Bethânia com o seu maravilhoso disco Âmbar.
Recentemente coloquei esse disco na “vitrola” para ouvir a lindíssima música de Sueli Costa, acabei ouvindo o disco todo e fiquei feliz, que disco lindo! Interessante que os discos de Bethânia você escuta depois de um tempo e novamente se surpreende, uma nota aqui, um tom ali, aquela voz dos deuses, e é sempre uma alegria e uma emoção tão grande ouvir os seus trabalhos, feitos com tanta competência.
Eu tenho um grande orgulho danado de gostar dessa espetacular artista.
Parabéns à Maria Bethânia. Que Deus sempre a proteja.
Maria Deolinda – Niterói - RJ

26 de outubro de 2007 às 16:21  
Anonymous Anônimo said...

chega dessa mulher... ela tá precisando se renovar... tá muito cansativo essa fase "rural" dela

26 de outubro de 2007 às 16:25  
Anonymous Anônimo said...

sou fã de Bethânia, mas não sou cego, nem surdo: enquanto o primeiro documentário é, no mínimo, curioso e interessante, e nos mostra uma Bethânia vigorosa, "Pedrinha de Aruanda" é cansativo e soa artificial demais. Me deu saudades da fase 60/70. Aliás, Andrucha é mesmo o diretor do segundo documentário? Ou seria Bethânia?

26 de outubro de 2007 às 19:07  
Anonymous Anônimo said...

" Conheço um fã dela que insiste há 30 anos ser recebido por ela no camarim depois dos shows. Nunca deu sorte mas ele não desiste " - Retiro o que disse quando falei que ela estava mais educada, isso é o fim da picada..."
Dizer que uma pessoa tem o direito de ser arrogante - meu amigo desencarna, tira umas férias no umbral, umas aulinhas de auto-estima, e volta para se agastar dos arrogantes...
Como diria vovo, uns gostam dos olhos e outros da remela...
Cada um na sua...
A partir de agora tratarei a colméia fundamentalista de tribo de masoquistas...
Mudando de pau para goiaba, sempre gostei do âmbar, acho o máximo...
Bethania não precisa se renovar precisa despachar o Jayme Alem, mas que arranjador chato ele se tornou, sei lá chama aquele da Maria Rita, ou da Roberta Sá, ela que sempre cantou gravou, regravou e tornou a fazê-lo "levanta sacode a poeira e dá volta por cima" estagnou...
Mas ainda é minha rainha, estagnada, mas é...

26 de outubro de 2007 às 19:21  
Blogger Luís Claudio Giesteira said...

Ainda me surpreende e emociona a
concentração,respeito pelo seu talento e sua arte,a emoção e fé
desta que,sem dúvida, é a pedra mais preciosa da MPB.Insuperável!!!

26 de outubro de 2007 às 20:00  
Anonymous Anônimo said...

antes e depois...é no DURANTE que a moça é incomparável.
e há 40 anos está no DURANTE.
rainha verdadeira.

30 de outubro de 2007 às 21:28  
Anonymous Anônimo said...

A personalidade altiva, o respeito por si mesma, e a coerência, são características de Maria Bethânia, que me fascinam.
Uma grande mulher. Desde sempre.
Invejável.

31 de outubro de 2007 às 08:02  
Blogger ADEMAR AMANCIO said...

Maria bethânia você é altiva ou arrogante?eu sou tudo,eu não sou qualquer uma,eu sou filha de D.Canô.

18 de setembro de 2012 às 14:30  

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